O Novo Mundo e a promessa de Paraíso

Mapa da América do Sul - J Hondius, 1606

O que é mais desconcertante na história dos trópicos aqui das Américas são as suas potencialidades anunciadas, mas irrealizadas. Os motivos da sua não realização estão possivelmente ligados a construção mesma do que seriam essas potencialidades, idilicamente formadas a partir da promessa de um “Novo Mundo” como sendo o próprio Édem.

Visões do Paraíso

O historiador Sérgio Buarque de Hollanda buscou tratar em Visões do Paraíso exatamente das narrativas edenizadoras dos colonizadores espanhóis e lusitanos sobre esse “Novo Mundo”, aproximando-as de outras narrativas anteriores que causavam fascinação, como as da Antiguidade clássica e bíblica. Além disso, os Ibéricos já comercializavam há bastante tempo com Oriente, que com suas diferenças radicais, já produziam um deslumbramento considerável.

Monstros, fontes miraculosas, seres híbridos, jardins maravilhosos: os ingredientes fantásticos já estavam dispostos, mas por serem o cenário e o tempo completamente novos, tornou o evento de criação do “Novo Mundo”, único. Em 1650, o espanhol Léon Pinelo, que em 1650 escreveu “El Paraíso em El Nuevo Mundo” certo que o origem de toda humanidade era na América do Sul. Ele acreditava que os rios do paraíso se encontravam logo ali, na Amazônia, e que o famoso fruto proibido do paraíso não passava de uma fruta bem tropical, como o maracujá.

O Eldorado: busca por riqueza e glória

Expoloração das minas em Potosí

Mas o paraíso nos trópicos prometia não somente deslumbramento aos olhos. Havia tmbém toda a glória que emana do divino: a riqueza e as glórias que os conquistadores poderiam gozar no Novo Mundo passam a ser parte da felicidade eterna.  O ouro e a prata simbolizavam a própria riqueza latente da América do Sul que atraia centenas de pessoas na eterna busca mítica pelo “Eldourado”. Para aguçar a ganância e a imaginação dos ibéricos nada melhor que uma cidade como Potosí, Bolívia: com sua montanha de ouro e prata a abundância era tamanha que até as ferraduras dos cavalos seriam de feitas desse material. A busca mítica pelo Eldorado “perdido” – tão perdido como os jardins do paraíso – marcaria para sempre a história dos nossos trópicos.

Montanha de Potosí

Natureza, o divino e recursos econômicos

A natureza e tudo aquilo que a terra produz – afinal, plantando nessa terra tudo dá – marca a história da América do Sul. A exuberância natural cria no imaginário ibérico um paraíso em potencial. Porém, pelo fato de ser vista como mero recurso natural explorável, toda dessa exuberância não consegue fatalmente cumprir a promessa de prosperidade implícita no sonho de paraíso. As potencialidades anunciadas não se tornam prosperidade por não termos compreendido, provavelmente  até hoje,  aquilo que criamos e chamamos de “natureza”.

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Publicado em maio 29, 2011, em Uncategorized. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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